Seja muito bem-vinde de volta ao meu diário público, onde compartilho meus saberes e um pouco do universo que me cerca, com o objetivo de propor uma retomada ao manual e a reconexão com a natureza em meio a um mundo hiperconectado e mecanizado.

A desconexão através da mecanização

Até pouco tempo vivíamos no que chamamos de era industrial em que éramos dominados por uma produção massiva e robotizada das coisas. Vivemos o resultado desse afastamento entre ser humano e o objeto produzido, mas também entre seres humanos consigo mesmos, até hoje.

A ideia de que as coisas são feitas por máquinas ou simplesmente surgiram prontas nas lojas nos leva à desconexão do objeto mas também à uma desconexão em âmbito pessoal, em que nos tornamos parte das máquinas e menos feitos de carne e osso.

Vivemos agora uma nova revolução, a revolução digital hiperconectada – mas conectada com o que? Não com nós mesmos. Em 2018 a Organização Mundial da Saúde classificou o vício em jogos eletrônicos como doença, que pode nos leva a se isolar socialmente, ter insônia, baixo rendimento profissional, entre outras consequências.

É justamente nesse contexto que surge o movimento slow, do inglês devagar.

O que é o movimento slow?

De acordo com o portal Review o slow living é tanto um estilo de vida quanto uma filosofia em comportamento de produção e consumo. A palavra que deriva outros movimentos, como slow fashion, slow food e slow content, pode ser traduzida também como vida sustentável e/ou consciente.

Com valores como sustentabilidade, conexão, consciência pessoal e coletiva, cuidado e justiça social, vai na direção contrária ao modelo de mundo que construímos até hoje. 

No consumo o slow living nos direciona para a importância de consumir do pequeno, local e artesão – um movimento que além de direcionar o dinheiro para uma diversidade maior de pessoas, também valoriza e reconhece a conexão entre produto e produtor. Dessa forma somos incentivados a saber quem, como e onde cada coisa é feita.

O processo terapêutico de fazer com as mãos.

O artista Stanley Donwood diz que computadores são alienantes, ou seja, nos afasta da realidade, porque colocam uma placa de vidro entre você e aquilo que está sendo produzido. 

É importante que façamos do nosso corpo parte do nosso trabalho, nem que seja unicamente da parte criativa. Não é atoa que você tem suas melhores ideias no banho, esse é um processo pouquíssimo mental e extremamente corporal. Cientistas já identificaram que antes de termos grandes ideias nosso cérebro deixa de se concentrar no entorno e passa a focar em nosso interior. 

O trabalho artesanal para muitas pessoas, para mim inclusive, é também um processo terapêutico. Que nos mostra a importância dos processos, nos faz desapegar da perfeição e nos leva em um lindo caminho de autoconhecimento, nos conectando com aquilo que somos para só assim materializar.

Você está gostando dessas reflexões e quer fazer parte delas nos encontramos semanalmente nesse espaço e com mais frequência no meu instagram.

Com amor, Maria Nuvem.