A humanidade se utiliza do fogo para dissipar a escuridão da noite desde a antiguidade. Conforme indicam algumas pinturas rupestres, em 50.000 a.C pequenas chamas já cintilavam acesas em uma fibra vegetal qualquer, sustentadas em cumbucas preenchidas com gordura animal no estado líquido. 

A vela sólida, como a conhecemos hoje, é um objeto criado por diversas sociedades em diferentes momentos da história. 

No Egito e na Grécia, bastões embebidos em sebo iluminavam tanto os palácios quanto os casebres. No Japão, velas eram desenvolvidas a partir da cera de nozes. Na Índia, a cera da canela mantinha as chamas acesas nos templos de oração. Na China, ceras diversas eram enroladas em tubos ao redor de pavios de papel de arroz.

Da iluminação ao ritual

A utilização das velas associada à ritualização também possui registros bastante antigos. Alguns povos ancestrais acreditavam, por exemplo, que observar fixamente a chama das velas permitiria o encontro com deuses e espíritos. 

Na Grécia, velas eram acesas religiosamente no sexto dia de cada mês como um ato de reverência à Ártemis, a deusa da caça. Já na Idade Média, velas sagradas eram entregues aos agricultores pela Igreja para garantir a proteção das plantações e rebanhos, enquanto a queima de velas brancas era fortemente indicada pelo clero a fim de manter as bruxas afastadas – mal sabiam eles.

Símbolo de poder

Na Europa, a utilização das velas como fonte principal de iluminação criou um verdadeiro mercado de luxo durante a Idade Média, uma vez que estas eram comercializadas pelos fabricantes da época – os ladrilhos – por um preço bastante elevado. 

As velas passaram a representar diferentes níveis de status e poder social. Enquanto velas produzidas com sebo de animais produziam uma fumaça fétida e densa, as confeccionadas de cera de abelha apresentavam a queima limpa e um agradável aroma adocicado. Estas, porém, eram raras e reservadas ao uso da mais alta sociedade e das igrejas. Além disso, cada vela era composta com um castiçal de madeira ou prata, ficando exposta na casa do comprador como um símbolo de seu poder aquisitivo.

Na África e no Oriente Médio, por sua vez, a disponibilidade das lâmpadas de azeite fez com que a produção das velas permanecesse quase que desconhecida até o final da Idade Média.

As reinvenções da vela

Hoje as velas visitam nossos lares não tanto com o papel de iluminar a escuridão da noite, mas sim, pela magia de nos movimentar internamente enquanto ardem e sustentam em si a dança tremeluzente do fogo. As velas ultrapassam o tempo e sustentam paralelamente o eterno e o efêmero.

Da antiguidade até aqui, diversos materiais foram utilizados para garantir que a produção das velas se mantivesse ao longo dos séculos. Atualmente, novas matérias primas vêm sendo desenvolvidas para que essa história encontre caminhos cada vez mais sustentáveis. 

Aqui na Maria Nuvem, por exemplo, nossas velas são produzidas com cera de soja. Tudo através de um processo limpo, sustentável, artístico, afetivo e artesanal. 

Para nós é fundamental que, no acender da chama, você se sinta parte integrante não apenas dessa história milenar, mas de um momento potente, único, ritualístico e todo seu.

Com amor, Maria Nuvem ☁️